Monday, January 07, 2013

O "Homem das Eras"

Marleide era jovem, bonita, recém-formada em História e um tanto exagerada no quesito "vestuário". Para ela era sempre verão: roupas curtas, leves e bastante coloridas, os decotes acentuados, os chinelos sempre com dedos à mostra e óculos escuros para onde quer que fosse. Como diria um amigo meu, Marleide trazia ainda um atributo a mais: era "gostosa até a tampa!".

Pois bem, a historiadora recém formada havia sido selecionada para uma entrevista de emprego em uma tradicional escola cristã de uma grande cidade brasileira. Caso lograsse êxito na seleção, seria contratada para dar aulas no ensino fundamental. No meio do caminho hava a entrevistadora....

- Bom dia, eu sou a Sra. Júlianne Pires, responsável pela seleção dos professores desta instituição de ensino. Sente-se, por favor!

Marleide buscava mostrar segurança e objetividade naquele momento. Arriscou um tímido "obrigado" e sentou-se na cadeira que lhe havia sido ofertada. Tirou os óculos escuros, deligou o celular e abriu um sorisso daqueles que só assistentes de palcos de programas de tv sabem dar. Pensou: "este emprego é meu!". A entrevistadora segue o roteiro de perguntas:

- Marleide, você já teve alguma experiência profissional? Na sua carteira de trabalho não há nenhum registro. .

- Mulher, até agora não trabalhei em nada. Este será o meu primeiro emprego, se Deus quiser!

Julianne achou estranho o "mulher", como forma de tratamento, mas continuou o diálogo. Sabia que estava avaliando uma possível professora da sua escola.

- E o que você tem lido ultimamente, Marleide?

- Ah, eu tenho lido Monteiro Lombato. Desde pequena eu leio as obras de Moneiro Lombato.

- Monteiro Lobato?

- É, o Lombato do Sítio do Pica-pau Amarelo. Deve ser este Lobato que você está falando também.

- Ahhh. E o que mais você tem lido?

- Mulher, eu não tenho lido muita coisa não, mas eu gosto muito do homem das "Eras"...

- Homem das "Eras"? (A entrevistadora tentava matar a charada. Seria um dos autores clássicos das óbras infantis? "Era uma vez"...)

- É! Todo mundo que faz o curso de História tem que ler. Você não conhece o homem das "Eras", não? Mulher, tem um livro dele que é a Era do Capital. Todo mundo mundo devia ler!

A entrevistadora não sabia mais se já era a hora de encerrar a entrevista ou de rever a sua formação profissional. Imaginbava já ter visto de tudo na vida, mas o "Homem das Eras" mudou sua opinião. Arriscou uma última pergunta para a pretendenste ao cargo de professora de ensino fundamental:

- E jornais, revistas, sites de notícias, você acompanha? Pode comentar algum fato que chamou a sua atenção recentemente?

- Claro que acompanho. Com a internet, que não acompanha tudo, mulher? Só não se atualiza quem não quer. E tem gente que não gosta do mundo virtual. Eu mesmo não deixo de entrar na "net" todo dia. O meu "face" já está cheio de amigos que até nem conheço, mas aceito todo mundo que me solicita amizade.

- E o fato que chamou a sua atenção, Marleide?

- Posso pensar um pouco?

Para a historiadora que me contou esta história.

Saturday, September 22, 2012

Perguntas e respostas

- Pai, o que é "feofó"?
O pai olha para o filho de pouca idade, sabe que não tem muito tempo para responder a uma simples pergunta, ameaça deixar a conversa para depois, mas resolve dar uma resposta clara e objetiva ao seu interlocutor.
- Meu filho, "feofó" é bumbum. É outro nome para bumbum. Quando você for falar algo que se relacione a esta parte do corpo, não use o termo "feofó", use bumbum mesmo.
O filho olha com admiração para o jovem e sábio pai e diz: - "E o que é caralho"?.
Pane no ambiente familiar. Para alguns um palavrão, para outros, palavra de uso corriqueiro, para a criança um vocabulário incompreensível. O caralho estava dentro de casa...
- Meu filho, onde você escutou isto? Foi na escola? (a escola é sempre culpada de algo).
- O senhor falou dentro do carro...
- Eu? Pergunta o pai quase não acreditando que tinha falado isto (pelo menos na frente da criança).
- É! Diz a criança calmamente.
Caralho! Como vou me sair desta, pensou o pai...
- Meu filho, caralho é outro nome que damos o Pinto. Os adultos chamam de Pênis, mas não é bom falar estas coisas na frente dos coleguinhas. Se precisar falar, use o termo Pinto mesmo.
- E por que o senhor chamou "Caralho"?
- Meu filho, está tarde. Vamos dormier que amanhã você tem aulas bem cedinho. Boa noite!
- Pai e o que é...
- Psiu! Hora de dormir...

Para Jeriel, colega de trabalho que virou um grande amigo.

Friday, September 07, 2012

Sem inspiração

O bom da vida é poder olhar para trás e perceber que não nos tornamos estátuas de sal. Como diz o ditado popular, "para frente é que se anda!". 


Wednesday, September 05, 2012

Cervejas e abraços


Muitas vezes não tenho aprovado as minhas ações. 
Paro, retrocedo, paro, desisto, paro e insisto. 
Insisto em que? 
Nos erros talvez... 
Acho que preciso de cervejas e abraços.

Tia Jó, Dri e Érica, esta postagem é pra vocês!

Thursday, April 26, 2012

Tatuagem sentimental

Tinha pouco mais de vinte anos. Uma garota linda e sempre de bem com a vida. Chegou em casa depois de um dia inteiro de ausência do lar. A mãe, uma jovem e bonita senhora começava a se preocupar com o "sumiço" da filha...
No final da tarde as duas se encontram. Antes que a mãe falasse qualquer coisa, a filha a abraça e lhe dá um beijo carinhoso. Diz em seguida em alto e bom tom: "Fiz uma tatuagem, mãe!".
A jovem e bonita senhora respira fundo, procura um lugar para sentar, pensa na criação católica que deu a filha, na reação dos familiares, na ingenuidade da filha e também fala em alto e bom tom: "Como você pode fazer isto comigo? Eu confiava tanto em você, Analice..."
A filha também procura algum lugar para sentar ou mesmo de apoiar, não sabia o que fazer com a reação da mãe. Disse baixinho, quase perdidndo perdão: "É só uma tatuagem, mãe".
A mãe não quer conversa, "fecha a cara" para a filha e complementa: "O que você tatuou? Uma caveira? O nome de algum destes namoradinhos de plantão? Animais? Francamente...". Continuou o sermão querendo saber em qual parte do corpo a filha tinha feito "o estrago". 
A filha envergonhada e sem saber o que fazer, responde: "Foi nas costas, mãe!". 
- "Nas costas? Você está louca, minha filha? Por que você fez isto? Está com algum problema? Deixa eu ver o que você fez!". 
A filha mostra as costas ainda um tanto maltratadas pela ação do tatuador. Lá estava registardo em letras grandes e bem escritas: "Minha mãe, minha vida!".

Para o Gabriel Moreira, que chegará aqui em Fortaleza em breve.

Wednesday, March 21, 2012

Ei, vamos refletir?

Ei, vamos refletir?

“Ei” é uma expressão bastante comum no linguajar popular brasileiro. Quando queremos interagir com outras pessoas de modo mais informal, dispensamos as apresentações preliminares e vamos logo ao “Ei”, que muitas vezes vem acompanhado de uma pergunta. Um exemplo ilustra esta organização da comunicação que pressupõe intimidade com o outro e com o assunto do qual se fala. “Ei, você viu o acidente envolvendo o filho do grande empresário e a morte do ciclista?”.

O assunto tornou-se a informação relevante da semana. Comentários e opiniões gerados a partir deste fato ganharam o país via mensagens virtuais, reportagens exaustivas e repetitivas nas grandes redes de TV e rádio e um clima de perplexidade se apresentou no país do sentimentalismo efêmero e da contradição de classes; Depois de presenciarmos tragédias envolvendo Jet skis, trens, motos etc., agora chegou a vez de prestigiarmos um cenário também doloroso, mas que apresenta como personagem central “o filho do Homem” (É tempo de celebração do capital, digo, da Páscoa)”, carro de luxo (muito luxo, diga-se de passagem), bicicleta, morte, comoção e a banalização mais uma vez das transgressões das leis de trânsito.

Ei, que reflexões podemos fazer a partir deste episódio? Compartilho algumas.

A primeira reflexão é de como as redes virtuais e suas mensagens curtas e instantâneas dinamizam a formação de opiniões imediatistas e rasteiras sobre temas diversos, mas não ampliam de fato, o debate sobre leis, vida em sociedade, humanização das pessoas e trânsito. O acidente envolvendo o filho de um dos homens mais rico do planeta gerou muita mídia e pouca discussão.

Após o acidente que culminou com a morte do ciclista, o condutor do veículo envolvido neste episódio posta na sua página virtual criada para dar a sua versão do fato, que ele e sua mãe (o pai ganha ar secundário neste momento) estão rezando pelo bem da família do ciclista morto. A oração é sempre bem-vinda, mas deve vir acompanhada de ação, como bem pregava São Paulo. Uma ação simples, como não cometer infrações comuns no trânsito das grandes cidades e acumular muitos pontos na Carteira Nacional de Habilitação cairia bem junto às orações e a sociedade se sentiria mais segura com o pleno cumprimento das leis de trânsito.

Outra reflexão que podemos fazer é sobre as nossas necessidades afetivas e biológicas. No ímpeto da emoção, o jovem estudante que dirigia o carro fala que adoraria dar um abraço na tia do ciclista morto no acidente. Para uma sociedade que vive de abraços virtuais e efêmeros, parece que o rapaz encontrou um desejo preso em muitos de nós: a vontade de abraçar o outro. Claro que nem todos querem os nossos abraços. Na dor, em algumas situações, o abraço aparece como uma obrigação, uma formalidade, um “desencargo de consciência”. O abraço não seria o da paz, mas do conflito. Também poderíamos abraçar causas que nos possibilitassem interação maior com os outros. Estas causas são muitas.

Uma frase estampou quase todas as notícias sobre este acidente: “O coração do ciclista foi parar dentro do carro [envolvido na colisão]”. O coração arremessado para fora do corpo sinalizou a morte de mais uma vítima do ineficiente sistema de fiscalização e ordenação do trânsito nosso de cada dia. O Estado, com suas fissuras, se mantém vivo. Parece sem coração...

Ei, que reflexões podemos fazer para que de fato elas se transformem em ações? É preciso ouvir os nossos corações, antes que eles sejam arremessados e o sentido da vida se perca.

Tuesday, February 21, 2012

Promoçao Rapidinha

A primeira vez que fui ao Rio de Janeiro achei a cidade linda e para ser um pouco repetitivo, maravilhosa.
Uma coisa em especial me chamou a atenção nesta viagem àquela cidade: um banner colocado em frente a um motel anunciando a promoção da semana. Os letreiros anunciavam em letras garúdas e legíveis:
"Rapinha: R$ 10,00!".
Fiquei intrigado pensando na interpetação do tempo a que se referia a tal "rapidinha" e fiquei tentado a desfrutar da tal promoção, mas "rapidinha" sozinho não dá. Neste caso, tem que ter alguém para dar.
Rapidamente me passou pela cabeça o sentido do tal banner promocional. Não havia nenhum asterisco (*) para dizer que a pomoção não era bem aquilo que se veiculava, nenhuma letra em tamanho menor para enganar o consumidor, NADA! Algumas palavras e um entendimento coletivo que não precisava de maiores explicações.

Para o meu amigo Rodrigo Borges, que promete passar rapidinho aqui em Fortaleza qualquer dias destes, mas tem demorado a chegar aqui.

Saturday, October 08, 2011

Erros, acertos, esperanças.

Descobri que a minha capacidade de errar é infinita. Que venham os acertos.

Tuesday, September 20, 2011

Pedidos

Celebravam 25 anos de casados. Depois de uma esfuziante noite de amor, ele diz à sua amada:
- Peça qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Te amo demais e queria muito te dar algo que você jamais esquecesse, algo que te fizesse muito feliz.
Ela abriu um largo sorriso, o beijou mais uma vez e respondeu sem pestanejar:
- O divórcio!

Sunday, July 24, 2011

Assaltos: parte 1

Era tarde da noite e ela chorava compulsivamente em uma parada de ônibus de um bairro nobre da capital cearense. Não havia ninguém por perto e olhava impacientemente o relógio. O ônibus parecia demorar uma eternidade para chegar. Continuava a chorar...
Minutos depois o ônibus chega e a passageira entra nervosa e sem falar com ninguém. Havia um sentimento coletivo de curiosidade em saber o que havia ocorrido com aquela passageira. Ninguém ousou perguntar. O motorista segue o trajeto, mas não aguenta de curiosidade e a pergunta o motivo do seu nervosismo. Ela responde:
- Quase fui assaltada a poucos metros da parada do ônibus e não havia ninguém para me ajudar.
- É, esta cidade está perigosa demais. Todos os dias tem assaltos. Fique calma que agora você está segura. Roubaram alguma coisa?
- Não, mas eu ainda estou muito nervosa porque bati muito no assaltante e ele ficou caido no local do assalto. Acho que exagerei na dose. Queria apenas dar um susto nele.
- O motorista dá meia volta, explica aos passageiros o que ocorreu e segue em direção ao local do assalto.
A passageira que relatou o episódio, agora um pouco mais calma, pergunta:
- O sr. vai socorrer o assaltante? Não é melhor chamar a polícia?
O motorista responde:
- Eu vou é dar umas porradas nele também se ainda estiver lá.
- A passageira volta a sua crise de choro.

* Relato que ouvi de um colega em um dia de conversa sobre violência na cidade de Fortaleza. Este texto é dedicado aos colegas do LEC.

Sunday, March 13, 2011

Um pouco de mentira.


Olhou-a firmemente, suspirou mais do que o de costume, quase se engasgou ao imaginar o que iria dizer e finalmente soltou o verbo. "Querida, eu te amo!".
Ela fcou sem saber como agir, o coração batia mais forte, a transpiração acelerou, faltavam-lhe palavras. Já ouvira esta frase muitas vezes, mas não com tamanha intensidade. Quase sem fôlego, retribuiu a pessoa que havia lhe tranformado emocionalmente com uma confissão: "Você é o sentido da minha existência".
Foi um encontro rápido e cheio de sentidos. Beijaram-se e cada um tomou o seu destino. Ela continuava pensando que o amor é o maior dos sentimentos. Estava muito feliz. A outra pessoa chegara a conclusão de que as mentiras são parte do nosso cotidiano. Também se sentia feliz.

Para aqueles que acreditam nas felicidades construídas de pequenas mentiras. Será que estou dedicando este texto para mim?

Sunday, November 28, 2010

Das urgências de cada um.

- Mãe, a senhora tomou o remédio de controle da pressão hoje?
- Sim, minha filha. Tenho tomado todos os dias conforme orientação médica. Por que?
- Nada não...

Alguns minutos depois a mesma filha retoma o diálogo.

- Mãe, a senhora não quer fazer algo diferente hoje? Ficar em casa mesmo, deixar para ir ao mercadinho amanhã. O tempo está meio fechado...
- Minha filha, você me conhece muito bem e sabe que há mais de vinte anos eu faço as minhas unhas aqui em casa com a Dorinha todos os sábados e depois vou ao mercadinho do seu Bené, ali na esquina. O que está acontecendo?
- É que a manicure não pode vir hoje, mãe!

* Para a minha doce e vaidosa Marli Sales, que sumiu no Cerrado e deixou o meu coração solitário.

Saturday, December 05, 2009

Perdas e ilusões.


Tenho ouvido muitas pessoas falando das perdas. São perdas as mais diversas: de contatos mais frequentes com amigos, de identidades, de oportunidades, de dinheiro, de ética, de peso, de tempo etc. Não vou perder meu tempo em relacionar todas as perdas que tenho ouvido as pessoas falarem. Quero falar de alguns ganhos que tive com as perdas.
Perdi a ingenuidade da crença no canto das sereias burguesas de plantão, que insistem em manter a sua incompetência sob a cortina de uma organização política amparada na vibração instituida dos seus subalternos, sempre prontos a dizer sim. O mando necessita do falso riso e da necessidade para existir.
Percebi que ganhei outra dinâmica pessoal cheia de perdas, mas com a certeza de ganhos que lentamente se apresentam como consistentes e reais.
Perdi o que acreditava ser 'irmandade", "parceria" e ganhei o resgate e a solidez de antigas amizades. Começo a desconfiar que não perdemos aquilo que não tivemos.
Perdi Recife com seus tubarões (não só os marinhos) e ganhei o aprendizado em terras cearenses com muitos arranhões.
Perdi o bom-humor. Ganhei a reflexão. Me lamento um pouco com esta troca.
Perdi? Não sei.
Perdi a ilusão. Ganhei a ação.
Espero ganhar pelo menos um comentário do Arley sobre este texto.

Para aqueles que perdem um pouco do seu tempo lendo o meu blog.

Wednesday, July 22, 2009

Amigos, amigos, amigos. Texto de Francival Pires Pereira.


Este texto é de um grande amigo que me enviou por e-mail e permitiu que eu o publicase neste blog. Boa leitura! (Francival é o de camisa verde)


Ontem (20/7) foi comemorado o Dia Internacional da Amizade. Em função disso recebi algumas mensagens dos meus queridos amigos. Estou envelhecendo e ficando um pouco rebelde, acho que muito - rebelde. Desta forma tenho me rebelado no que diz respeito a estas datas comemorativas, tipo: dia das mães, dos pais, Natal, etc... Como todas são datas inventadas, e não tendo sido consultado no dia da invenção, estou reinventando. Tanto que já combinamos lá em casa que comemoraremos o dia das mães em qualquer outro domingo ( a combinar) menos no dia em questão. Há inúmeras vantagens, dentre elas, restaurantes vazios com um atendimento decente, estacionamento disponível, comida bem feita, etc... sem contar, que se for o caso de presentear não irei ao Shopping lotado. Bom, são coisas de gente rebelde..... Imaginem vocês ir a cemitério em dia de finados, nem pensar. Afinal de contas o falecido estará disponível em qualquer outro dia, não é verdade? Por qual razão devo seguir o rebanho nestas datas puramente comerciais? Não. Comigo não, violão.

Todo este preâmbulo para falar com os meus amigos sobre o referido “Dia dos Amigos”. Começa que amigo que se preza está sempre de plantão, não tem folga. Para vocês terem uma idéia passei 17 anos sem encontrar um querido amigo de Belo Horizonte e este tempo e a distância em nada afetou a nossa amizade. Amigos se alegram com o sucesso dos amigos, com as suas conquistas, formam-se juntos, compram seus bens juntos. Coisa boa é ter amigo com casa na praia e outra na serra, sempre há um lugar diferente para passar o final de semana. E aqueles amigos com os quais passamos o Reveillon em Pernambuco, sensacional. Lembrei de um amigo queridíssimo, o pai do Lucas, que com as bênçãos do nosso Deus todo poderoso será tão maravilhoso quanto o seu pai. Há também aquela amiga de Croatá com duas filhas lindas, sem contar a minha comadre ( a minha afilhada completou 15 anos e ainda não fui visitá-la – ô padrinho sem futuro). Há também os amigos intelectuais com doutorado e tudo, só gente boa. Há os amigos da internet, da faculdade, do trabalho voluntário. Todos com suas particularidades, por isso são tão especiais. Há a amiga poetisa de Baturité com um enorme coração de mãe e de avó. Tenho uma amiga Carmelenga (autoridade indiscutível na hierarquia da Igreja Católica). Tenho amigos que oram por mim diariamente nos seus momentos de encontro com Deus. Tenho uma amiga especial que não pode ler por não poder enxergar, mais é a pessoa com a visão mais aguçada que conheço. Tenho amigos que nem conheço pessoalmente mais que são tão queridos. Há uma amiga de Brasília, bem pertinho daquela politicagem, arre...... Há uma amiga que é secretária de um véi (ô véi chato). Semana passada um amigão de São Paulo veio de férias com sua mãe de 80 anos – que dupla do barulho..... Há um amigão de São Paulo que só vive nos Estados Unidos e México, ô homem difícil de encontrar..... Há aqueles tão especialmente especiais (vixe) que não tem como comentar, lá pelas bandas do Henrique Jorge e João XXIII.

Mais o bom de tudo isso é que em graus diferenciados preciso muito destes amigos. Sem eles eu não seria o que sou. A eles devo a minha sanidade e alegria de viver. Como diria o meu amigo Roberto Carlos: “Como a abelha necessita de uma flor, eu preciso de vocês e desse amor.....”

Por último, mas não menos importante, o meu amigo de todas as horas, Jesus de Nazaré, cabra arretado de bom, gente da gente, camarada querido e carinhoso. Os meus amigos, cada um a seu modo, se parecem muito com Jesus, talvez seja por isso que os amo tanto.

Como não estou fazendo redação para vestibular vão relevando os possíveis erros de regência verbal ou concordância nominal, kkkkkk.

Sem mais. Com valorosos votos de estima e consideração.
Um beijão e um abração para todos vocês.

Francival Pires Pereira

Tuesday, May 26, 2009

Quase

Sempre achei o "quase" meio enigmático, afinal anuncia possibilidades e de certa forma nos move.
São tantos "quase"... O "quase" morri de amores (este sempre um exagero poético e um tanto patético), o "quase" ganhei o prêmio na loteria, o "quase" não parei de falar etc.
Costumo dizer aos meus alunos que o quase é um nada e ao mesmo tempo um tudo. Não é meio nem fim, mas se faz importante e necessário porque incomoda, questiona, machuca.
E eu aqui, quase esboçand0 um texto. Quase te dando um beijo. Quase esquecendo as mágoas.
O quase é necessário...
Para mim, quase no limite.

Friday, April 10, 2009

Proximidade/Distanciamento: a moeda em questão.




Para os cristãos, Sexta-Feira Santa, também conhecida como Sexta-Feira da Paixão. Todo dia é dia da paixão. Nenhum dia é santo.
Neste dia alguém me pergunta por quais motivos estou tão distanciado de algumas pessoas que me são (ou eram) muito caras. Não respondo e penso nas moedas. Dois semblantes em uma mesma prensagem. Perspectivas diferentes aonde um lado jamais encontra o outro. Um lado, no entanto, não existe sem que o outro seja chamado à ordem. Os lados são opostos e apresentam um mesmo valor.
Para que houvesse uma aproximação mais aprofundada entre “cara” e “coroa” seria necessário derreter o material bruto que produz a moeda e assim ela deixaria de existir. “Cara” e “coroa” então perderiam as suas identidades, suas funções. Morreriam.
A morte as uniria. Melhor permanecerem em uso e distanciadas, assim se dizem tão próximas.
Os dois lados de uma mesma moeda só se aproximam porque nunca se encontram. Para que sair da padronização?
Os desencontros promovem encontros. Sei disto.
Para Teresa, de Niteroi. A distância entre as cidades nos aproxima via e-mails.

Friday, April 03, 2009

Texto do site www.ultimainstancia.uol.com.br

Enquanto procuro inspiração para o novo texto, segue uma boa polêmica publicada hoje no www.ultimainstancia.uol.com.br . Boa leitura e reflexão. Comentários podem ser colocados na fonte original. O site tem boas discussões sobre decisões judiciais e funcionamento da justiça brasileira. Segue o texto copiado de lá:
Lula é processado por colocar culpa da crise em “brancos de olhos azuis"
Uma declaração polêmica pode levar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se explicar na Justiça. O STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu nesta quinta-feira (2/4) uma ação em que um homem pede que Lula se retrate por ter dito que a crise econômica mundial foi “fomentada por comportamentos irracionais de gente branca, de olhos azuis”.Clóvis Victório Mezzomo, o autor da ação, diz ter se sentido ofendido pessoalmente e quer que o presidente justifique porque as causas da crise mundial decorrem de “razões genéticas”, em uma postura que considerou racista.Segundo o advogado do escritor, Adriano Mezzomo, o presidente Lula deverá prestar explicações formais perante o Supremo do porque "ser branco é pecado"."Manifestações raciais não podem ser levadas na brincadeira. Nossa Constituição Federal veda qualquer tipo de discriminação", diz o advogado, que é filho do autor da ação.Para ele, atribuir a culpa de uma crise ecnômica global a um fator genético e a uma etnia é uma afirmação no mínimo "equivocada".A reportagem de Última Instância entrou em contato com a Presidência da República, que por meio de sua assessoria disse preferir, por enquanto, não se manifestar.O STF informou que a relatoria do processo ficará a cargo do ministro Celso de Mello. Ainda não há previsão de julgamento ou de notificação do presidente Lula, que se encontra em viagem no encontro do G20.Clóvis Mezzomo é autor do livro "Da Sua Vida e dos Seus Sonhos", em que conta como enfrentou a falência de sua empresa e dá dicas de como sair da crise financeira.Olhos verdesBrasileiro de ascendência italiana, Mezzomo diz ser branco de olhos verdes, e quer saber por que “uma raça ou etnia portadora de genes recessivos é culpada pela crise internacional, mais especificamente a ‘gente branca, de olhos azuis’”.Na ação, o escritor, jornalista e consultor empresarial diz ainda que nasceu em Caxias do Sul, tendo sido criado em Estância Velha, também no Rio Grande do Sul. Ele alega que trabalhou desde a infância cercado por homens e mulheres de “pele branca e olhos azuis”, que teriam contribuído para o desenvolvimento da região tanto quanto negros índios e descendentes de europeus ibéricos.Mezzomo destaca que a legislação brasileira refuta categoricamente a prática de racismo, a começar pela própria Constituição Federal. Ele cita na petição de Interpelação Judicial o preâmbulo e o artigo 5º da Carta Magna, pelo qual “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza” e o inciso XLII, para o qual “a prática de racismo constitui crime inafiançável e imprescritível”.
Sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tuesday, March 10, 2009

O direito a que, mesmo?

“Bispo Excomunga Família e Médicos que ajudaram a realizar o aborto na menina de 9 anos, em Recife”. A manchete estampada em vários jornais brasileiros na última semana retrata a história de uma criança pernambucana que foi violentada pelo padrasto e que, consequentemente, engravidou. A família da vítima, amparada por orientações médicas, optou pelo aborto levando-se em conta que a Legislação Brasileira permite a interrupção da gravidez nos casos de estupro e riscos para a gestante. A menina se encaixava nos dois quesitos. Não havia escolha!
No entanto, a notícia chamou a atenção pela forma radical com que a Igreja Católica agiu neste caso. Só a “Excomunhão” não fazia sentido. Para completar a ação punitiva aos que acreditam nos valores cristãos e impedir qualquer debate mais elaborado sobre temas como violência, mulher, saúde pública e solidariedade, a Igreja reforçou através do seu representante local que não excomungou também o agressor que brutalmente engravidou a criança por considerar este um crime menor que o aborto, pois não feriu o direito á vida. O direito à vida é ferido por crimes de diversas ordens, inclusive o da imposição das ações individuais ou coletivas.
A comparação apresentada pela instituição religiosa foi no mínimo, lamentável. Porque não dizer, idiota? Mais uma vez a Igreja mostrou-se incapaz de dialogar com a sociedade de forma clara, inteligente e menos alienada. Mostrou traços da veia autoritária que insiste em preservar mesmo que a sociedade diga não a esta prática danosa no mundo atual.
A Igreja Católica optou pela imposição da força do jargão “Direito à Vida” em meio aos “Mortos de Cidadania” que lidavam com as conseqüências da violência cotidiana. Esperava-se da instituição religiosa – e não só dela – uma atitude mais respeitosa em relação ao sofrimento da família da menina que também não teve direito à vida por inteiro. O direito à dignidade mostrou-se ferido, o direito a escolhas sensatas apareceu anulado, o direito a ter direitos, perdido.
Há de se considerar ainda que o Estado apareceu, neste caso, como eficiente e solidário no atendimento a criança vítima do estupro ao mesmo tempo em que não conseguiu mostrar-se suficientemente habilidoso para evitar este e tantos outros crimes que recheiam as estatísticas diárias dos números da violência em nosso País. O Estado é contraditório, falho, mas democrático. Conseguimos dialogar com Ele.
O momento é de cobrar abortos de imposição de pensamentos únicos, recortados, impostos. Opinião não se impõe, se discute, se forma por meio de argumentos. A Igreja criou um peso para os pobres cristãos envolvidos na excomunhão midiática e não tomou nenhuma medida para que este fato pudesse ajudar na construção de um debate mais justo sobre temas diversos. É hora de a Igreja olhar para trás e rever alguns dos seus conceitos. Talvez vire sal. Melhor assim!

Saturday, January 24, 2009

Sanfonas, emoções e amizades (Parte Final)



“Ainda bem, que você vive comigo...” Vanessa da Matta avisa a Mené que Fausto está querendo falar com ele ao celular.

- Oi, Fausto. Tudo bem?
- Sim, mas não consegui encontrar o sanfoneiro que mora aqui pertinho da minha casa. Dizem que ele está fazendo shows pelo interior do estado. Agora não tem mais jeito. O negócio é ligar para o Cecêu e dizer que não vai dar mesmo.
- Nem pensar! Dei minha a minha palavra de que iria arranjar este sanfoneiro e não vou desistir.
- Se eu conseguir alguma coisa, volto a te ligar. Se não tiver nenhuma novidade, te encontro no cemitério mais tarde.
Mené levanta, toma café rapidamente e vai a lan house de Pedro, que fica ao lado da sua casa. Entra vagarosamente e ao ver o vizinho vai logo perguntando:
- Pedro, você conhece algum sanfoneiro?
- Vários! Acho que o Dominguinhos é o mais famoso de todos. Também gostava muito do Luiz Gonzaga. Este era bom demais. Quando tocava “Asa Branca” eu me emocionava. Mas porque a pergunta, Mené?
Mené passou cerca de um minuto sem fala e sem atitude. Exercitou a paciência em um tempo que parecia uma eternidade e didaticamente respondeu a Pedro:
- Pergunto se você conhece algum sanfoneiro que possa tocar uma música mais tarde em um evento. Sanfoneiro aqui do bairro ou da cidade.
Mené não queria dar mais detalhes e buscava encurtar a conversa. Pedro segue o diálogo: - Que evento? Quanto tempo? Conheço uns meninos ali...
- Um velório. Pronto, é um velório e é para tocar uma música apenas.
- Estás doido, Mené? Bebeu de novo? Dizem por aí que você não usa drogas. Tô te achando meio estranho...
Mené, que não perde a compostura com facilidade, lembra de Cecêu em Brasília e tem vontade de matá-lo por causa do pedido da homenagem póstuma ao avô. Olha firmemente para Pedro, fica calado e diz: - Então ligue para os tais meninos e veja se eles podem tocar “Asa Branca” no velório de hoje à tarde. Volto daqui a pouco para saber a resposta.
Em menos de dez minutos, Pedro anuncia a Mené que não deu certo “fechar o contrato” com ninguém e complementa: - Um dos meninos falou que só vai se for para tocar muitas músicas. E ele não vai sozinho, quer levar as bailarinas também. Promete que se fecharmos contrato com eles, pede para que elas ponham “uns panos a mais” nas roupas que vão usar.
Mené não sabe mais o que fazer, passa a pensar em suicídio e deixar um bilhete pedindo a Cecêu que providencie uma apresentação de “Dança do Ventre” para dinamizar o seu velório também. Volta para casa angustiado pois o tempo conspira contra a sanfona. Encontra a mãe e a irmã tomando café. Come mais um pedaço de tapioca e comenta com elas o seu dilema. A irmã é a primeira a falar:
- Não sei pra que tanto stress. Se não arranjar ninguém, a gente leva um aparelho de som, põe a música e tudo fica resolvido. É bom que “Asa Branca” foi gravada por muitos artistas. A gente pode fazer uma seleção bem legal e colocar um CD junto ao defunto.
Há um silêncio meio cômico, mas é necessário respeitar o sentimento de tristeza de Cecêu. A mãe de Mené também estava inspirada e diz:
- Meu filho, não se preocupe com isto. É só ver os classificados dos jornais que tem pessoas que fazem este tipo de apresentação. Vamos ligar?
Dona Ednira pega rapidamente o jornal e o telefone e liga para um grupo de artistas que anunciava este tipo de serviço no jornal. Enquanto ela liga, Mené amadurece a idéia de suicídio.
- Alô? Vocês tem sanfoneiro aí? Ah, tem? Que bom... preciso de um para tocar em um funeral hoje a tarde... Não, não é brincadeira, estou falando sério... Assim o senhor está me ofendendo...Não, não quero violino... É “Asa Branca”, o senhor não escutou direito?... Deveriam não anunciar serviços se não sabem atender bem. Até logo!
Dona Ednira fica quieta por alguns segundos, abre um sorriso tímido e diz:
- É meu filho, não deu certo. O homem riu muito e até debochou de mim. Tive vontade de rir também. Quem sabe se aceitássemos o violino. É lindo de morrer.
A irmã de Mené completa:
- Não sei porque não querem o CD. Não pode ser violão? Todo mundo sabe tocar violão. Tem que ser sanfona mesmo?Ô povo complicado. O homem já está morto. Mais vale a intenção...
Mené sente-se angustiado com o sentimento de que morreu na praia. Sequer liga para Cecêu para dizer que não pode atender ao seu pedido. “Sanfona”, “Sanfona”, “Sanfona”. Estas palavras não saem da sua cabeça. Resolve, então, ligar para a mãe do seu melhor amigo para confortá-la um pouco e dizer da intenção do seu filho em prestar uma homenagem ao pai dela. Ela agradece e diz que espera encontrá-lo no sepultamento do Vô Chico no final da tarde.
Ao cair da tarde chegava ao cemitério um pequeno grupo com uma sanfona, um triângulo e um pandeiro tocando “Asa Branca”. Ao lado dos músicos, um caixão com coroas e mensagens póstumas. Vô Chico seguia para a eternidade com um público bem numeroso. Uma multidão acompanhava a música, algumas pessoas dançavam, outras choravam, outras estranhavam tal atitude e Mené ficou surpreso ao ver tal movimento. Quem teria conseguido a homenagem ao Vô Chico que fora pedida a ele? Sentiu-se um inútil e martirizava-se por isto. Queria morrer também. Pouco tempo depois, a mãe de Cecêu revelaria o mistério:
- Meu filho, se você tivesse me ligado antes falando do desejo do Cecêu prestar a última homenagem ao meu pai, eu teria ligado logo para este pessoal que é quase da nossa família. Ainda bem que deu certo. Foi uma homenagem linda. Cecêu nunca vai esquecer que eu consegui os músicos para ele.
Ela deu uma olhadinha para Mené como quem diz: “Simplifica as coisas, meu filho. Simplifica”.

Para Majela e sua família de Itapajé/CE.

Monday, December 29, 2008

Nós

Nós
Existem nós que nunca se desfazem.
Existem nós que na verdade não são nós, somos nós.
Os nós cegos. Para que enxergá-los?
Nós, nós, nós...
Eu, eu, eu....
Você: um só. Um nó.

Para os que insistem em valorizar o "nós".