Sunday, August 03, 2014

Eleições 2014



ELEIÇÕES 2014: Um toque de sacanagem.

Repórter de caderno de diversão de um jornal de celebridades pergunta:
- Aécio, diga um filme que marcou a sua vida.
- Aeroporto. Depois que vi este filme não fui mais o mesmo. “Tudo está explicado, viu?”.
- Dilma, que filme você indicaria para os seus eleitores?
- A Queda. É bem realista e os meus marqueteiros já estão revendo a película pela centésima vez.
- Eduardo Campos, pode indicar algum filme para as pessoas assistirem durante o horário político?
- Malévola, é a cara da minha campanha.
- Pastor, pastor... (Pastor o que, meu Deus, não lembro o nome dele, mas tem 4% dos votos segundo as pesquisas) - Que filme tem a sua cara?
- O palhaço. Todos deviam ver.


Monday, January 06, 2014

Das vontades de cada um


Vontade de escrever. O que, não sei.
Vontade de me perder. Em que não sei.
Vontade de reaprender tudo que sei.
Vontade de não ter vontades.
Coisas da idade.

Para Dayse, que acabou de me dizer que vou ficar "um velho gagá".

Wednesday, November 27, 2013

- Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonito do que eu?
- Sim, muitas pessoas.
-Espelho, espelho meu, existe alguém que goste mais dos amigos do que eu?
- Claro que sim! Quer que eu cite os nomes? Bruno AF Lima, que mora lá em BH e uma destass pessoas.
(Que espelho chato penso eu)
-Espelho, espelho meu, os meus alunos me amam como sempre me falam?
- É melhor você procurar outro espelho para responder a esta pergunta.
-Espelho, espelho meu, algum conselho para este dia maravilhoso?
-Sim, vai fazer algo mais produtivo do que postar mensagens no face.
-Espelho, espelho meu...
- Cara, cansei, não vou responder mais nada hoje. Pensa que só você me consulta?
(Com apoio de Regina Mariano).
Bom final de semana para todos!

Saturday, October 26, 2013

Quero

Quero receitas para saber como a competência pode vencer as falcatruas;
Quero conselhos para encontrar a pessoa certa, mesmo acreditando que isto seja um grande erro;
Quero palpites, mesmo que bobos;
Quero mensagens de otimismo e caipirinhas no final da tarde;
Quero lanternas para desbravar a escuridão; 
Quero sonhos e fantasias, mesmo em dias mais tenebrosos;
Quero você ao meu lado, mesmo que você não queira. 
Quero acreditar que estou inspirado hoje. 

Para nós, que sempre queremos algo.

Sunday, May 26, 2013

Fortalecimento

A mãe achou que o filho estava cada vez mais cristão quando viu na sua camisa a frase "Tudo posso naquele que me fortalece". Aproximou-se carinhosamente dele e disse:

- Meu filho, como estou orgulhosa de você. Pedi tanto a Deus para que este dia chegasse.

O filho faz uma expressão de surpresa e continua a conversa.

- Do que a senhora está falando mãe?
- Da sua entrega a Jesus.
Ele, que já havia se entregado a muitos, cotinuava a não entender o que a mãe queria dizer.
- A senhora está bem ,mãe?
- Melhor ainda hoje, meu filho. Saber que você se fortalece a cada dia porque acredita no Senhor.
O filho ficou meio intrigado e perguntou a mãe:
- É por causa da camisa, mãe?
- É!
- Peguei emprestada de um colega por causa da chuva. O que me fortalece todos os dias são os suplementos alimentares que estou tomando diariamente junto com exercícios físicos rotineiros na academia com um instrutor particular.  Estou bem sarado, não é mãe?
Ela olha com aquele jeito que só mãe sabe fazer e diz pouco convincente:
- Está.

Para os sarados de plantão e de bom coração: Marcelo, meu ex-aluno; Betinho; Zé Paulo; Rodrigo Borges e Rodrigo Lima.

Thursday, May 16, 2013

Ousar é possível

Descobriu que a ousadia o fazia feliz, mas dela não se apoderava.
Seguiu com as suas inquietações....

Para Fabíola Souza, a minha doce mulher-aranha.

Thursday, May 02, 2013

Bananas

Tinha uma pequena plantaçao de bananas no interior do Ceará. "Cismou" que estava com Mal de Alzheimer porque havia esquecido de fazer a novena do dia. Sentenciou o diagnóstico de imeditato. Tinha lá seus oitenta e poucos anos.
Ligou imediatamente para o filho que morava com ela e pediu para marcar uma consulta médica com urgência. O filho um tanto preocupado pergunta:
- O que houve, mãe? Qual o motivo de tanta ansiedade?
- Estou perdendo a memória, meu filho.
- Mamãe, está tudo bem com a senhora.
- Não está, meu filho. Já faz un dias que a minha memória não fdunciona. Liga para o Dr. Alexandre, por favor. Os telefones dele são 9876..., 3232... e 3254.... Se a Rosaline, atendente dele não estiver lá, pede para falar com a Meirice, que também trabalha lá com ele. Diga que é urgente e veja se o consultório dele ainda é na Avenida tal, número tal, entre as ruas X e Y.
- Mamãe...
- Faz logo o que estou mandando menino, senão daqui a pouco você qua não terá paciência comigo quando eu tiver perdido a memória...
 
Dois dias depois, Dona Glauciana chega ao consultório médico e o Dr. Alexandre diz que vai fazer alguns testes para testar a memória dela.
- POr favor, diga o nome de 20 países.
- Ela olhou com um pequeno sorriso nos lábios como quem diz "já viajei o mundo todo" e solta o verbo.
Já estava no 41o país e não parava de falar. Dr. Alexandre a interrompe e ela complementa: "Só falei os que já visitei, viu doutor?".
- Diga agora nomes de livros que a senhora conhece, dia o médico.
- Quantos?
- Uns dez.
Ela citou 25 e so parou com a ordem do médico.
-Dona Glauciana, vamos ao último teste. Diga o nome de 15 frutas.
- Citou 14, meno a banana. Não lembrava de nenhuma outra. Pensou logo que realmente estava com a memória comprometida.
- Não lembra de nehuma mais?
- Não, doutor.
- Nem a que a senhora planta?
- Diga logo que estou doente, doutor. Só lembrei da banana porque o senhor me deu a dica agora. 
- A senhora não tem nada de doença.
- Ela agradece o médico e sai pensando; "Estou doente, não consegui lembrar nem a fruta que faz parte do meu dia-a-dia"

Para Jeriel, que não me deixa esquecer que as boas amizades movem o mundo.

Sunday, April 07, 2013

Mortes

Tenho inveja daqueles que morrem de amores. Vivo à procura de um.

Admiro os que morrem de saudade. São naturalmente lindos.

Acho curiosa a expressão "morrer na praia".

Sou daqueles que morrem de vontade. De que, não sei.

Para Mirtes Machado.

Friday, March 29, 2013

Coelhinhos



Meu lado cômico.

Sem ter o que fazer neste feriado, dois coelhinhos da páscoa circulavam saltitantes pela floresta em busca de ovos. Também queriam cenouras.
O tempo passou e não encontraram nada. Marasmo total... Sequer um caçador apareceu por ali para assustá-los. A estória de Chapeuzinho Vermelho era bem mais dinâmica.
Um deles diz:
- Queria ser de chocolate!
 - Por quê?
 - Porque até este domingo alguém haveria de me comer.
- Sempre gostei de chocolates...
- Vai esperar até domingo?

Monday, March 25, 2013

Inversão das prioridades

Prezados(as), 

ao utilizar os serviços da TAM neste final de semana, fiquei surpreso (chocado talvez seja a palavra mais adequada) ao ser informado que os assentos da fileira 1, tradicionalmente reservados para as chamadas "prioridades" (idosos, deficientes, obesos, grávidas, passageiros com alguma dificuldade de locomoção, mulheres com crianças de colo etc) agora são vendidos como 'espaço +" para qualquer passageiro que tenha interesse em adquirir estes assentos, com tarifa extra a do bilhete aéreo. "Espaço + " siginifica que os assentos podem TAMBÉM ser usados pelas "prioridades". O planejamento do chamado "Espaço +" certamente não contemplou estratégias de ação em que a empresa tivesse algum custo.
A prioridade é a venda do assento por um dinheiro a mais na compra do bilhete aéreo. As "antigas prioridades", são acomodadas agora nas fileiras seguintes. A cortesia deu lugar a mercadoria. É torcer para que não ocorra pane no voo, vontade de ir ao toalete, fazer muitas conexões etc. 
É informado também que os assentos localizados nas saídas de emergência (isto mesmo!) fazem parte deste tipo de venda.
Estes assentos podem ser ocupados por qualquer pessoa que os compre? O capital parece ter outras emergências!

É isto, fica o registro do meu olhar sobre algumas questões relacionadas ao consumo.

Algumas sugestões do que fazer com este texto:
Discuta, comente, compartilhe, poste msg para a TAM falando sobre isto, envie pauta de reportagem para alguns meios de comunicação...

Votos de uma excelente semana! Escolham bem as prioidades de cada dia.

Um abraço,

Paulo Henrique

Para Bruno Lima e Marcos Boson, amigos eficientes.

Tuesday, March 12, 2013

Repetições especiais

Das repetições que escuto quase diariamente:

- "É uma luta, heim companheiro?".
- "Você faz fisioterapia".
- "O carro é adaptado, né"? (E claro, pedem para dar uma olhadinha no veículo. Outros mais diretos pedem para que eu ligue o carro e mostre como funciona). 
- "Foi acidente"? (E arriscam um palpite, na maioria das vezes associado a acidente de moto).
- "E você trabalha?" (Alguns sugerem aposentadoria, já.).
- "Tenho uma amigo que também é deficiente." (Amigo, parente, vizinho...)
- "Você conhece o..." (médico tal, igreja tal, hospital tal, AACD, grupo de ajuda etc).
- "O que não pode é desistir, né?" (Esta é a pior de todas. Tenho vontade de desistir mesmo!).

Para Davi Silvestre, amigo especial demais. 

Thursday, March 07, 2013

Santa Conversa

Fátima chega e diz:
- Bento, tenho inveja de você!
"Como assim, minha querida?" - responde o velho homem.
- Eu não consegui guardar três segredos e você esconde centenas deles. Como consegue?
- Saindo de cena quando me pressionam. Quem mandou você querer aparecer demais, minha santa?

Saturday, March 02, 2013

Haja paciência!

O cara passou quase vinte minutos procurando uma vaga para estacionar. Ia visitar um amigo que estava doente e pretendia desembarcar o mais próximo possível da entrada principal do condomínio. Não deu! 

Colocou o carro em uma rua secundária e pensou nas facilidades do uso de um táxi. 

Começava a abrir o andador que o ajudava a caminhar. O cara é pessoa com deficiência, diga-se de passagem. 

Respirou fundo, olhou se não havia ninguém suspeito na rua e deu os primeiros passos em direção ao apartamento do amigo. A rua estava deserta... 

"Do nada", (sabe aquelas situações em que "do nada" surge algo trágico ou cõmico?) aparece uma senhora com uma grande bíblia na mão, vestimenta bem fechada e uma aproximação rápida até o motorista que já estava irritado pelo tempo que ficou procurando uma vaga para colocar o seu automóvel. A velha senhora chegou bem perto dele e pergunto em alto e bom tom:


- Você acredita em Deus?

O cara olhou desconfiado, tinha certeza de que ela estava falando com ele, pois não havia mais ninguém na rua. Achou estranho ela não ter dito um "oi" ou um "boa-tarde!".  Respondeu impaciente:

- Não!

- Valha, meu Deus!, gritou a velha senhora! Você tem que acreditar em Deus! Só ele pode nos salvar. Aceite Jesus, meu filho! (O tom de voz começava a ficar mais alto). Ele vai te curar! 

O cara disse:

- Minha senhora, eu não sou surdo!

- Que Deus te livre do inferno! Visite a nossa igreja!

- Minha senhora, que tal procurar algo para fazer? 

- Irritada, ela vai embora. Impaciente, ele conta esta história. 

Para Flávia e José, da Rede Sarah de Hospitais Fortaleza, que não indicaram nenhuma igreja para me curar. 



Monday, January 07, 2013

O "Homem das Eras"

Marleide era jovem, bonita, recém-formada em História e um tanto exagerada no quesito "vestuário". Para ela era sempre verão: roupas curtas, leves e bastante coloridas, os decotes acentuados, os chinelos sempre com dedos à mostra e óculos escuros para onde quer que fosse. Como diria um amigo meu, Marleide trazia ainda um atributo a mais: era "gostosa até a tampa!".

Pois bem, a historiadora recém formada havia sido selecionada para uma entrevista de emprego em uma tradicional escola cristã de uma grande cidade brasileira. Caso lograsse êxito na seleção, seria contratada para dar aulas no ensino fundamental. No meio do caminho hava a entrevistadora....

- Bom dia, eu sou a Sra. Júlianne Pires, responsável pela seleção dos professores desta instituição de ensino. Sente-se, por favor!

Marleide buscava mostrar segurança e objetividade naquele momento. Arriscou um tímido "obrigado" e sentou-se na cadeira que lhe havia sido ofertada. Tirou os óculos escuros, deligou o celular e abriu um sorisso daqueles que só assistentes de palcos de programas de tv sabem dar. Pensou: "este emprego é meu!". A entrevistadora segue o roteiro de perguntas:

- Marleide, você já teve alguma experiência profissional? Na sua carteira de trabalho não há nenhum registro. .

- Mulher, até agora não trabalhei em nada. Este será o meu primeiro emprego, se Deus quiser!

Julianne achou estranho o "mulher", como forma de tratamento, mas continuou o diálogo. Sabia que estava avaliando uma possível professora da sua escola.

- E o que você tem lido ultimamente, Marleide?

- Ah, eu tenho lido Monteiro Lombato. Desde pequena eu leio as obras de Moneiro Lombato.

- Monteiro Lobato?

- É, o Lombato do Sítio do Pica-pau Amarelo. Deve ser este Lobato que você está falando também.

- Ahhh. E o que mais você tem lido?

- Mulher, eu não tenho lido muita coisa não, mas eu gosto muito do homem das "Eras"...

- Homem das "Eras"? (A entrevistadora tentava matar a charada. Seria um dos autores clássicos das óbras infantis? "Era uma vez"...)

- É! Todo mundo que faz o curso de História tem que ler. Você não conhece o homem das "Eras", não? Mulher, tem um livro dele que é a Era do Capital. Todo mundo mundo devia ler!

A entrevistadora não sabia mais se já era a hora de encerrar a entrevista ou de rever a sua formação profissional. Imaginbava já ter visto de tudo na vida, mas o "Homem das Eras" mudou sua opinião. Arriscou uma última pergunta para a pretendenste ao cargo de professora de ensino fundamental:

- E jornais, revistas, sites de notícias, você acompanha? Pode comentar algum fato que chamou a sua atenção recentemente?

- Claro que acompanho. Com a internet, que não acompanha tudo, mulher? Só não se atualiza quem não quer. E tem gente que não gosta do mundo virtual. Eu mesmo não deixo de entrar na "net" todo dia. O meu "face" já está cheio de amigos que até nem conheço, mas aceito todo mundo que me solicita amizade.

- E o fato que chamou a sua atenção, Marleide?

- Posso pensar um pouco?

Para a historiadora que me contou esta história.

Saturday, September 22, 2012

Perguntas e respostas

- Pai, o que é "feofó"?
O pai olha para o filho de pouca idade, sabe que não tem muito tempo para responder a uma simples pergunta, ameaça deixar a conversa para depois, mas resolve dar uma resposta clara e objetiva ao seu interlocutor.
- Meu filho, "feofó" é bumbum. É outro nome para bumbum. Quando você for falar algo que se relacione a esta parte do corpo, não use o termo "feofó", use bumbum mesmo.
O filho olha com admiração para o jovem e sábio pai e diz: - "E o que é caralho"?.
Pane no ambiente familiar. Para alguns um palavrão, para outros, palavra de uso corriqueiro, para a criança um vocabulário incompreensível. O caralho estava dentro de casa...
- Meu filho, onde você escutou isto? Foi na escola? (a escola é sempre culpada de algo).
- O senhor falou dentro do carro...
- Eu? Pergunta o pai quase não acreditando que tinha falado isto (pelo menos na frente da criança).
- É! Diz a criança calmamente.
Caralho! Como vou me sair desta, pensou o pai...
- Meu filho, caralho é outro nome que damos o Pinto. Os adultos chamam de Pênis, mas não é bom falar estas coisas na frente dos coleguinhas. Se precisar falar, use o termo Pinto mesmo.
- E por que o senhor chamou "Caralho"?
- Meu filho, está tarde. Vamos dormier que amanhã você tem aulas bem cedinho. Boa noite!
- Pai e o que é...
- Psiu! Hora de dormir...

Para Jeriel, colega de trabalho que virou um grande amigo.

Friday, September 07, 2012

Sem inspiração

O bom da vida é poder olhar para trás e perceber que não nos tornamos estátuas de sal. Como diz o ditado popular, "para frente é que se anda!". 


Wednesday, September 05, 2012

Cervejas e abraços


Muitas vezes não tenho aprovado as minhas ações. 
Paro, retrocedo, paro, desisto, paro e insisto. 
Insisto em que? 
Nos erros talvez... 
Acho que preciso de cervejas e abraços.

Tia Jó, Dri e Érica, esta postagem é pra vocês!

Thursday, April 26, 2012

Tatuagem sentimental

Tinha pouco mais de vinte anos. Uma garota linda e sempre de bem com a vida. Chegou em casa depois de um dia inteiro de ausência do lar. A mãe, uma jovem e bonita senhora começava a se preocupar com o "sumiço" da filha...
No final da tarde as duas se encontram. Antes que a mãe falasse qualquer coisa, a filha a abraça e lhe dá um beijo carinhoso. Diz em seguida em alto e bom tom: "Fiz uma tatuagem, mãe!".
A jovem e bonita senhora respira fundo, procura um lugar para sentar, pensa na criação católica que deu a filha, na reação dos familiares, na ingenuidade da filha e também fala em alto e bom tom: "Como você pode fazer isto comigo? Eu confiava tanto em você, Analice..."
A filha também procura algum lugar para sentar ou mesmo de apoiar, não sabia o que fazer com a reação da mãe. Disse baixinho, quase perdidndo perdão: "É só uma tatuagem, mãe".
A mãe não quer conversa, "fecha a cara" para a filha e complementa: "O que você tatuou? Uma caveira? O nome de algum destes namoradinhos de plantão? Animais? Francamente...". Continuou o sermão querendo saber em qual parte do corpo a filha tinha feito "o estrago". 
A filha envergonhada e sem saber o que fazer, responde: "Foi nas costas, mãe!". 
- "Nas costas? Você está louca, minha filha? Por que você fez isto? Está com algum problema? Deixa eu ver o que você fez!". 
A filha mostra as costas ainda um tanto maltratadas pela ação do tatuador. Lá estava registardo em letras grandes e bem escritas: "Minha mãe, minha vida!".

Para o Gabriel Moreira, que chegará aqui em Fortaleza em breve.

Wednesday, March 21, 2012

Ei, vamos refletir?

Ei, vamos refletir?

“Ei” é uma expressão bastante comum no linguajar popular brasileiro. Quando queremos interagir com outras pessoas de modo mais informal, dispensamos as apresentações preliminares e vamos logo ao “Ei”, que muitas vezes vem acompanhado de uma pergunta. Um exemplo ilustra esta organização da comunicação que pressupõe intimidade com o outro e com o assunto do qual se fala. “Ei, você viu o acidente envolvendo o filho do grande empresário e a morte do ciclista?”.

O assunto tornou-se a informação relevante da semana. Comentários e opiniões gerados a partir deste fato ganharam o país via mensagens virtuais, reportagens exaustivas e repetitivas nas grandes redes de TV e rádio e um clima de perplexidade se apresentou no país do sentimentalismo efêmero e da contradição de classes; Depois de presenciarmos tragédias envolvendo Jet skis, trens, motos etc., agora chegou a vez de prestigiarmos um cenário também doloroso, mas que apresenta como personagem central “o filho do Homem” (É tempo de celebração do capital, digo, da Páscoa)”, carro de luxo (muito luxo, diga-se de passagem), bicicleta, morte, comoção e a banalização mais uma vez das transgressões das leis de trânsito.

Ei, que reflexões podemos fazer a partir deste episódio? Compartilho algumas.

A primeira reflexão é de como as redes virtuais e suas mensagens curtas e instantâneas dinamizam a formação de opiniões imediatistas e rasteiras sobre temas diversos, mas não ampliam de fato, o debate sobre leis, vida em sociedade, humanização das pessoas e trânsito. O acidente envolvendo o filho de um dos homens mais rico do planeta gerou muita mídia e pouca discussão.

Após o acidente que culminou com a morte do ciclista, o condutor do veículo envolvido neste episódio posta na sua página virtual criada para dar a sua versão do fato, que ele e sua mãe (o pai ganha ar secundário neste momento) estão rezando pelo bem da família do ciclista morto. A oração é sempre bem-vinda, mas deve vir acompanhada de ação, como bem pregava São Paulo. Uma ação simples, como não cometer infrações comuns no trânsito das grandes cidades e acumular muitos pontos na Carteira Nacional de Habilitação cairia bem junto às orações e a sociedade se sentiria mais segura com o pleno cumprimento das leis de trânsito.

Outra reflexão que podemos fazer é sobre as nossas necessidades afetivas e biológicas. No ímpeto da emoção, o jovem estudante que dirigia o carro fala que adoraria dar um abraço na tia do ciclista morto no acidente. Para uma sociedade que vive de abraços virtuais e efêmeros, parece que o rapaz encontrou um desejo preso em muitos de nós: a vontade de abraçar o outro. Claro que nem todos querem os nossos abraços. Na dor, em algumas situações, o abraço aparece como uma obrigação, uma formalidade, um “desencargo de consciência”. O abraço não seria o da paz, mas do conflito. Também poderíamos abraçar causas que nos possibilitassem interação maior com os outros. Estas causas são muitas.

Uma frase estampou quase todas as notícias sobre este acidente: “O coração do ciclista foi parar dentro do carro [envolvido na colisão]”. O coração arremessado para fora do corpo sinalizou a morte de mais uma vítima do ineficiente sistema de fiscalização e ordenação do trânsito nosso de cada dia. O Estado, com suas fissuras, se mantém vivo. Parece sem coração...

Ei, que reflexões podemos fazer para que de fato elas se transformem em ações? É preciso ouvir os nossos corações, antes que eles sejam arremessados e o sentido da vida se perca.